01/09/2010

Entre nós designers, é comum encontrarmos aqueles que adoram citar regras de criação. Principalmente quando o assunto é o desenho de um símbolo ou logotipo para uma marca. Mas curiosamente os mesmos designers que vejo ditando regras ou normas são muitas vezes os primeiros a reclamar da tal “falta de liberdade criativa” usualmente por “culpa do cliente”… Segundo eles.
É estranho e incoerente esta posição de quem impõem regras aos outros, mas não aceita limites quando lhe são apresentados. Parece ser sempre uma disputa de poder entre aquele que “sabe mais” e aquele que “manda mais” no projeto, como se a liberdade para criar estivesse relacionada à posse, àquele que verdadeiramente é o “dono na marca”: o criador ou o contratante.
25/08/2010
Seja em uma conversa entre colegas de profissão, em uma lista de discussão, ou nas comunidades das redes sociais, o tópico “CLIENTE” sempre aparece. Curiosamente as reclamações são sempre as mesmas: Imposição de ideias, cores e formas; dificuldade em fazê-lo entender o processo de trabalho; duras negociações ao tentar cobrar os valores adequados, e a eterna luta para se aprovar um trabalho.
Quando comecei à pensar neste artigo, 7 sete anos atrás, o tópico era justamente este. No entanto neste meio tempo muita coisa mudou. Não sinto mais dificuldade em compartilhar o desenvolvimento do projeto com o cliente, nem em colocar na mesa a metodologia adequada ao seu desenvolvimento. Também já e cada vez mais é mais fácil demonstrar o valor e a importância de um bom Design.
31/07/2010
25/07/2010
Sempre me disseram: que marcas deveriam ser projetadas em preto e branco; que o uso do degrade era proibido; que símbolos e logotipos deveriam ser elementos isolados; que a marca deveria ser passível de aplicação em pelo menos 12mm; que deveria possuir no máximo 2 cores etc. Imagino que você também já tenha escutado críticas a um trabalho com base nestes parâmetros.
Mas são estas regras realmente formulas úteis para a criação de um bom símbolo ou logotipo? Você não conhece alguma boa marca que possui gradiente? Outra que só funciona colorida e que em preto e branco perde completamente seu significado? Ou mesmo alguma boa solução que possui pouca redução? Aos poucos fui notando que muitas boas marcas rompiam com uma ou outra regra. Tudo bem que geralmente as piores marcas que já vi são aquelas que rompem TODAS as regras ao mesmo tempo, e muitas das melhores, as que as respeitam. Mas se a simples aplicação repetida de normas garantisse um bom projeto então todas as soluções em preto e branco com boa redução e síntese visual seriam marcas perfeitas.
A questão aqui não é se devemos seguir ou romper regras, e sim discutir se são elas que realmente definirão um bom projeto. Não do ponto de vista das cartilhas de aplicação de marca ou da estética de seu desenho, mas sim das necessidades de comunicação e atuação da empresa ou produto que ela representa: de chamar a atenção, se diferenciar dos concorrentes, expressar seu posicionamento, ser lembrada etc. Neste sentido, mesmo que em algum momento a tecnologia resolva todos os problemas de reprodução, estaremos sempre limitados pelas diferentes realidades das empresas e necessidades de cada marca em comunicar e sinalizar algo para alguém em seu mercado e segmento. Se as regras não traduzem as necessidades de uma marca, simplesmente segui-las pode ser um equívoco tão grande quanto simplesmente rompe-las.
O desafio maior é conhecer os limites de cada projeto através de um processo metodológico e estratégico de pesquisa e entendimento do problema. Somente assim poderemos levar a criação aos seus extremos, sem deixar de atender as suas necessidades. Neste sentido podemos dizer que se existem realmente regras a serem seguidas ou fórmulas de sucesso para criação de marcas, elas serão diferentes sempre em cada projeto.
14/07/2010
Caros colegas designers.
Como alguns de vocês já sabem vamos encerrar as atividades de cursos on line da Design Total. As turmas dos cursos de Julho agora são as últimas.
Para quem não conhece a história a Design Total começou em 2004 com os cursos de Teoria das Cores da Helena Sordili, Imagem Experimental do Gustavo Lassala, e com o meu curso de Manuais de Identidade visual. Durante um bom tempo foram todos muito bem. Na época tínhamos também muitos outros contatos com professores e propostas de cursos a serem montados.
Porem todos nós, bem como a maioria dos professores que foram convidados, já em 2004 nos dividíamos em uma jornada dupla entre as salas de aula e em nossos próprios escritórios, o que deixava pouco (ou nenhum) tempo livre para elaboração de novos cursos. Com isso a Design Total ficou com os mesmos 3 cursos do primeiro ao último dia de sua atuação.
A montagem trabalhosa de apostilas (algumas com mais de 200 páginas) sempre foi uma barreira aos novos cursos, e dificultavam novos lançamentos. Neste meio tempo, concorrentes apareceram cobrando menos por cursos mais “profissionalizantes” e menos aprofundados. Por outro lado, felizmente neste caso, as faculdades melhoraram em muito as suas grades, e disciplinas como tipografia, teoria das cores, sistemas de identidade visual já não são mais tão incomuns assim.
Com isso a demanda caiu, e sem novos cursos para impulsionar os demais, bem como sem uma estrutura mais forte para divulgação, achamos que o ideal é encerrarmos as atividades.
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